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Apostolado de Nossa Senhora das Lágrimas Brasil

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As Relíquias de Santa Cristina em Campinas

Neste artigo resgataremos a verdadeira história sobre o que realmente motivou a vinda das relíquias de Santa Cristina para Campinas. Acompanhe conosco os registros obtidos acerca da criação da paróquia do Sagrado Coração de Jesus [1] e os manuscritos de Dom Barreto [2], transcritos por Rita Elisa Sêda, que tratam da aquisição dessas relíquias. Boa leitura!

 

A CRIAÇÃO DA PARÓQUIA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS:

Como bispo diocesano à época, Dom Francisco de Campos Barreto tinha o desejo de ofertar uma relíquia para compor a então nova matriz do Sagrado Coração de Jesus, em Campinas, cuja paróquia fora criada por ele em seu episcopado a 7 de março de 1924:

“A paróquia Sagrado Coração de Jesus (Botafogo) foi criada em 7 de março de 1924 por decreto de dom Francisco de Campos Barreto e instituída como matriz provisória a antiga Capela do Bonfim […].

Em fevereiro de 1926, a Câmara Municipal aprovou a doação do Largo Ramos de Azevedo para a construção da nova matriz. Como dom Francisco de Campos Barreto achou o terreno insuficiente, a Cúria adquiriu o imóvel de 772 metros quadrados, onde se encontra o atual terreno da matriz. […] O próprio Dom Barreto se empenhou em construir essa igreja no bairro do Botafogo […]. E, devido ao desenvolvimento da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, ele quis que a Igreja fosse um “Santuário Diocesano” para louvar o Sagrado Coração de Jesus.” [1]

Fonte: [1] Arquidiocese de Campinas: Subsídios para a sua História (vários autores), Arquidiocese de Campinas, Pontifícia Universidade Católica de Campinas PUC-Campinas, 2004, Editora Komedi, Campinas-SP, p. 129-130.

Sem saber ainda qual seria a relíquia a ser encontrada, Dom Barreto encarregou outro sacerdote de viajar a Roma com a missão de providenciá-la.

As informações sobre a aquisição dessas relíquias, que constam no Livro de Tombo da diocese de Campinas, foram registradas de próprio punho por Dom Barreto e vêm à luz nos dias de hoje para esclarecer os fatos e evitar equívocos quanto ao que realmente motivou a vinda das relíquias de Santa Cristina para Campinas.

A transcrição do manuscrito de Dom Francisco de Campos Barreto [2] foi feita por Rita Elisa Sêda, a partir dos originais que ela teve acesso no ano de 2020, durante pesquisa no acervo da Arquidiocese de Campinas, para compor a biografia da irmã Amália e a devoção a Nossa Senhora das Lágrimas, com a devida permissão de Dom João Inácio Müller.

 

TRANSCRIÇÃO DO MANUSCRITO DE DOM FRANCISCO DE CAMPOS BARRETO:

Transcrição do manuscrito de DOM FRANCISCO DE CAMPOS BARRETO, 2º Bispo Diocesano de Campinas-SP, a respeito da sua aquisição às relíquias de Santa Cristina, transcritas do LIVRO TOMBO DA DIOCESE DE CAMPINAS, ANO 1922-1931, pp 42, 44, 46.

Transcrição feita por Rita Elisa Sêda dos originais que ela teve acesso em 2020, durante pesquisa no acervo da Arquidiocese de Campinas, para compor a biografia da Irmã Amália e a devoção a Nossa Senhora das Lágrimas, com a devida permissão de Dom João Inácio Müller.

“A meu pedido, o Rvmo Padre José de Castro Nery, desta diocese, estudando no Colégio Pio Latino, procurou obter uma relíquia insigne para este bispado, era minha intenção dotar com essa relíquia a nova matriz do Sagrado Coração de Jesus desta cidade. A relíquia encontrada foi a de Santa Cristina, virgem e mártir, existente no Carmelo de São José em Roma. Depois de várias tratativas, o Pe. Nery, obteve do Santo Padre Pio XI, a devida ordem para me ser entregue esta relíquia, visto haver outro pretendente à mesma. Ofereci como esmola ao Carmelo, três mil libras que foram recebidas pela priora Madre Rosália da Sagrada família. Essa relíquia foi trazida por mão própria e aqui entregue. Depois de estar algum tempo em minha capela, procissionalmente e com grande pompa, por todas as religiosas de Campinas, tomando parte na procissão de Santa Terezinha, realizada a oito de Outubro, em uma rica urna e em um lindo andor, foram essas relíquias levadas à Catedral. Nessa ocasião, além das religiosas da cidade, acompanhei a procissão, levando também o Calendo Cabido, sacerdotes e o seminário diocesano. Depois de um mês na Catedral, transportei em outro móvel a mesma urna para a capela das Missionárias de Jesus Crucificado até que tinha seu primitivo destino na Igreja do S. Coração de Jesus. Como das relíquias se compõem de todos os seus santos ossos de todo o corpo, terminei Eu uma parte deles fique no mesmo Instituto das Missionárias. Uma imagem de cera deve ser feita para conter as relíquias, tanto aí como na Igreja do Sagrado Coração de Jesus. A santa urna com algumas relíquias voltará para minha capela particular. A esmola dada em Roma foi toda minha e a ninguém pedi auxílio. A seguir mando transcrever aqui, o que se lê nos principais documentos que acompanham as relíquias.” [2]

Fonte: [2] Manuscritos de Dom Francisco de Campos Barreto, 2º Bispo Diocesano de Campinas-SP, Livro Tombo da Diocese de Campinas, Ano 1922-1931, p. 42,44.

OBS: Até aqui foi escrito por dom Francisco de Campos Barreto. Daqui em diante uma pessoa transcreveu a história de Santa Cristina a pedido de Dom Barreto onde consta a informação: “Narração extraída do livro das memórias do nosso Mosteiro de S. José de Capo le Case.” Não publico aqui a transcrição que fiz porque é bem grande e o foco principal dessa postagem é a respeito da aquisição, vinda e conservação das relíquias em Campinas. Deixo aqui registrado um texto escrito por Dom Barreto que está inserido depois da dissertação sobre a vida e martírio de Santa Cristina, consta na página 46:

“Reutilizo esta página e as seguintes explicações para a história de Santa Cristina e não necessárias depois.

Em tempo declaro aqui que minha primeira intenção foi entregar a Santas Relíquias de Santa Cristina ao Santuário do S. Coração de Jesus desta cidade, o que foi feito.

Infelizmente, as relíquias não foram bem conservadas no lugar em que as colocaram. Os Santos ossos iam se corromper, o pároco retirou-os desse lugar e a imagem de cera que havia eu dado pretejou. Como tal acontecesse, mandei os santos ossos para as Irmãs Franciscanas do Instituto C. de Maria limparem; e como o pároco do S. Coração não as procurasse mais, determinei que as mesmas fossem como propriedade do Instituto das Missionárias, que já havia uma parte dessa Santa Relíquia e uma imagem de cera também doada por mim e vinda de Buenos Aires como a outra. Fiz isso em boa consciência porque tanto as Santas Relíquias como as imagens foram frutos de meu trabalho pessoal, tendo todas despesas feitas por mim.” [2]

Francisco de Campos Barreto – Bispo de Campinas

Fonte: [2] Manuscritos de Dom Francisco de Campos Barreto, 2º Bispo Diocesano de Campinas-SP, Livro Tombo da Diocese de Campinas, Ano 1922-1931, p. 46.

Eu, Rita Elisa Sêda, transcrevi esse documento de acordo com as regras gramaticais atuais.

Rita Elisa Sêda

Especializada em Arqueologia História, Literatura e Religião no Moriah International Center´s, pela Hebraica Universidade de Jerusalém. Biógrafa de: Cora Coralina, Doador da Vida Franz de Castro Holzwarth, Beata Nhá Chica, Carlos Gonçalves, Dom Raymundo Cardeal Damasceno Assis, Irmã Amália de Jesus Flagelado e a Devoção a Nossa Senhora das Lágrimas.
E-mail: rita@ritaelisaseda.com.br
Acesse também a postagem de Rita Elisa Sêda no Instagram, quando de sua visita à Casa Generalícia (Bairro Ponte Preta) nos anos de 2001 e 2008: veja aqui.

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