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Apostolado de Nossa Senhora das Lágrimas Brasil

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Imaculada Conceição: A Padroeira de Campinas

Neste artigo resgataremos a história do Ofício da Imaculada Conceição e a sua relação com a Padroeira de Campinas. Nesse mergulho histórico, veremos também a relação das origens de Campinas com Taubaté e sua ligação com a genealogia da família de Dom Barreto.
Iniciaremos com uma breve contextualização da dedicação dos sábados às devoções Marianas. Boa leitura!

 

A TRADIÇÃO DO SÁBADO E AS DEVOÇÕES MARIANAS:

Na tradição da Igreja Católica, o sábado é o dia litúrgico dedicado a Virgem Maria. Essa tradição está relacionada ao Sábado Santo, quando Maria viveu o luto pela morte de Jesus: estando sem Jesus vivo, entre a crucificação e a ressurreição, Maria viveu um período de silêncio e espera, mas manteve a esperança na ressurreição do Deus Crucificado.
Diante disso, a Igreja primitiva passou a dedicar os sábados em honra a Virgem Maria. Com o passar do tempo, essa devoção ganhou ainda mais força, e a Santa Igreja instituiu atos litúrgicos, ofícios e Santa Missa em honra a Nossa Senhora.
Em tempos mais recentes (em 1917 e 1925), foi a própria Virgem Maria quem pediu à vidente Lúcia – a mais velha dos três pastorinhos de Fátima em Portugal – que se fizesse a devoção reparadora ao Seu Imaculado Coração nos cinco primeiros sábados do mês.

O sábado torna-se, portanto, um dia propício às devoções Marianas!

 

OFÍCIO DA IMACULADA CONCEIÇÃO:

A devoção ao Ofício veio para o Brasil através dos portugueses, se tornando muito popular também por aqui.
Originalmente, o Ofício da Imaculada Conceição foi escrito na Itália do século XV (anos 1401-1500) pelo frade franciscano Bernardino de Bustis, de forma a defender já naquela época a doutrina da Imaculada Conceição. Esta oração posteriormente foi aprovada pelo Papa Inocêncio XI (1678).
No entanto, a elevação do título de Imaculada Conceição como preceito da fé católica ocorreu apenas em 8 de dezembro do ano de 1854, quando o Papa Pio IX proclamou, através da Bula “Ineffabilis Deus”, o dogma da Imaculada Conceição: este terceiro dogma Mariano tornou a crença na Imaculada Conceição uma verdade de fé obrigatória para todos os católicos.
A proclamação do dogma da Imaculada Conceição define formalmente a convicção que, desde séculos anteriores, já era defendida: a Virgem Maria, desde o primeiro instante ao ser concebida no seio de sua mãe Ana, foi preservada do pecado original através de uma graça singular de Deus, tendo em vista os méritos de Jesus Cristo. Deus quis que o ventre no qual Seu Filho habitaria fosse plenamente puro e não tivesse a mancha do pecado original. Portanto, na Concepção Imaculada de Maria, vemos o início do projeto central de Deus, cujo nascimento de seu Filho feito homem culminaria na redenção da humanidade que crê e segue Seus ensinamentos, através da morte e Ressurreição de Cristo.
Passados pouco mais de vinte e um anos após a publicação da Bula “Ineffabilis Deus”, em 31 de março de 1876, o mesmo Papa Pio IX enriqueceu o Ofício da Imaculada Conceição com indulgências.
E a própria Virgem Maria, quatro anos após a proclamação deste dogma (em 1858), vêm em Lourdes na França nos trazer esta confirmação, ao se apresentar à vidente Bernadette Soubirous pelo nome de… Imaculada Conceição.

 

A PADROEIRA DE CAMPINAS:

Nossa Senhora da Conceição é a padroeira da Arquidiocese de Campinas e titular da Catedral Metropolitana de Campinas. A solenidade da Imaculada Conceição de Maria é celebrada pela Igreja no dia 8 de dezembro, e em homenagem à padroeira instituiu-se neste mesmo dia o feriado municipal que comemora a fundação de Campinas. Apesar do aniversário de Campinas ser celebrado no dia 14 de julho (1774), a Lei Municipal nº 173, sancionada em Campinas no ano de 1949, estabeleceu como feriado o dia de sua padroeira. Fato que também ocorre em muitos outros municípios.

A ESTRADA DOS GOIASES:

Quanto à escolha de Nossa Senhora da Conceição como padroeira de Campinas, podemos considerar que ela ocorreu de forma espontânea. Esse território havia se tornado um local de pouso de tropeiros e bandeirantes, em função de fazer parte de um trecho da estrada “dos Goiases”, ou das “Minas de Goiás”: estrada aberta para acesso às minas de ouro encontradas no interior do país. Aos poucos, e principalmente a partir do ano de 1728 (quando a primeira sesmaria foi concedida na região), as áreas próximas aos locais de passagem dos tropeiros passaram a ser habitadas.
A maioria dos habitantes desta incipiente comunidade, que surgiu como um bairro rural da Vila de Jundiaí chamado de Campinas do Mato Grosso, eram imigrantes portugueses (principalmente taubateanos) que trouxeram a devoção à Virgem Nossa Senhora da Conceição de Portugal para essa região do Brasil. A devoção em terras lusitanas era tão importante, a ponto do Rei Dom João IV em 25/03/1646, festividade litúrgica da Anunciação do Anjo à Nossa Senhora, tê-la por Padroeira do Reino de Portugal. Essa devoção se refletiu na futura Campinas, pois Nossa Senhora da Conceição foi escolhida como padroeira pelos próprios moradores desde a sua fundação, em função do pleito para a criação de uma paróquia própria desmembrada de Jundiaí.

A FUNDAÇÃO DE CAMPINAS:

Naquela época, período colonial, o movimento de iniciativa religiosa feito pelos moradores em favor da criação de uma paróquia estava associado à criação de caráter cível de um distrito. Dessa forma, no ano de 1772 foi obtida a licença para erigir a freguesia desmembrada de Jundiaí, e no ano de 1773 já havia um pedido para a construção de uma capela naquela que seria a nova Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Campinas. A primeira missa foi celebrada no dia 14 de julho de 1774, em uma capela provisória que ficava no mesmo local onde hoje está o monumento-túmulo de Carlos Gomes, na Praça Bento Quirino. Essa primeira missa foi celebrada pelo Frei Antônio de Pádua Teixeira, vigário interino da nova paróquia, cuja abrangência paroquial correspondia à toda a extensão do novo distrito. A data da primeira missa também é considerada como sendo a data oficial da fundação cível do então novo distrito de Jundiaí: a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas do Mato Grosso.
Posteriormente, e embora não totalmente concluída, a sede da primeira igreja matriz construída em frente à capela provisória foi inaugurada em 25 de julho de 1781, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição das Campinas. No dia seguinte à sua inauguração, a imagem da Padroeira da primeira capela foi solenemente transladada para esta nova igreja, transformada hoje na Basílica de Nossa Senhora do Carmo (também conhecida como “Matriz Velha”). Com o desenvolvimento populacional local, ocorreu a divisão da primeira paróquia: desde 8 de dezembro de 1883 a Catedral Metropolitana de Campinas passou a ser a “Matriz Nova” da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição.

O FUNDADOR DE CAMPINAS:

Por sua ativa participação na organização da nova Freguesia, o frei franciscano Antônio de Pádua Teixeira é considerado por muitos estudiosos como cofundador de Campinas, ao lado de Francisco Barreto Leme, tido como o fundador oficial por ato do governador.
Quanto à Francisco Barreto Leme, sabe-se que ele passou a residir na região do que seria o futuro município de Campinas a partir dos anos 1740-1745, vindo da Freguesia de Taubaté com sua esposa e filhos. Ele muito contribuiu para a criação da nova Paróquia e a construção e manutenção da primeira matriz de Campinas, chegando a doar um quarto de léguas de terras de sua propriedade para a padroeira da cidade, estando incluídas nessas terras os locais onde hoje se encontram a Praça Bento Quirino e a Basílica de Nossa Senhora do Carmo. Esta última onde, inclusive, está enterrado. Não bastasse isso, há ligação genealógica entre o fundador de Campinas, Francisco Barreto Leme, com o fundador do Instituto das Missionárias de Jesus Crucificado e segundo bispo de Campinas, Dom Francisco de Campos Barreto.

Quanta história no coração da nossa querida Campinas!

 

Fontes:
História da Padroeira, site da Arquidiocese de Campinas, acessado em 21/11/2025: veja aqui.
História das Congregações Marianas, site da Confederação Nacional das Congregações Marianas no Brasil, acessado em 21/11/2025: veja aqui.
Constituição Apostólica Ineffabilis Deus: veja aqui.
Portugal e a Imaculada Conceição: O berço de Portugal é cristão e sua madrinha é a Imaculada Conceição, site da Paróquia São Miguel de Queijas – Portugal, acessado em 21/11/2025: veja aqui.
Ofício da Imaculada Conceição, Comunidade Canção Nova, Editora Canção Nova, 2004, 206ª Edição, p. 7.
Tese de Licenciatura de Rafael Capelato: Francisco de Campos Barreto: Uma Resenha Biográfica, Fontes e Crítica Historiográfica, Pontifícia Universitá Gregoriana, Roma, 2011: veja aqui.
Basílica do Carmo – História de Fé no Coração de Campinas, José Pedro Soares Martins, 2009, Editora Komedi, Campinas-SP, p. 22-36.
Arquidiocese de Campinas: Subsídios para a sua História (vários autores), Arquidiocese de Campinas, Pontifícia Universidade Católica de Campinas PUC-Campinas, 2004, Editora Komedi, Campinas-SP, p. 19-30.

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