A reza da oração da Coroa de Nossa Senhora das Lágrimas, tal como fazemos nos dias de hoje, é uma composição de acontecimentos que ocorreram em três grandes datas: 08/11/1929, 08/03/1930 e 08/04/1930. A seguir, iremos relatar brevemente cada episódio relacionado à essas datas, de forma que possamos melhor compreender a grandeza da reza da Coroa de Nossa Senhora das Lágrimas. Para isso, tomaremos o cuidado de citar expressamente as palavras tal como foram ditas à época e segundo constam nos escritos originais, para que o valor de cada uma delas seja aproveitado em sua completude, assim como desejado por Jesus para o bem desta Santa Devoção!
Em obediência, cumprindo ordens de sua superiora Madre Maria Villac, Irmã Amália de Jesus Flagelado descreveu como foi que Nosso Senhor deu as invocações da Coroa das Lágrimas [1]:
No dia 08/11/1929 o irmão da Madre Maria Villac, Paulo José Villac, foi à Casa Mãe do Instituto das Missionárias de Jesus Crucificado (Campinas – SP) à procura de sua irmã mais velha para pedir ajuda: sua esposa Maria Clarice Marinho Villac, então grávida do seu quarto filho, teve avaliação médica de que seu caso era irremediável neste mundo. Os médicos suspeitavam que ela tivesse um tumor cerebral. Foi depois dessa conversa com seu irmão que a Madre Maria Villac, muito triste e com as lágrimas nos olhos, recorreu à Irmã Amália e disse para ela: “O que será das criancinhas?”
Irmã Amália sentiu, nesse momento, que um impulso a chamava aos pés do altar. Foi aos seus degraus, nos quais se ajoelhou, e com os braços abertos ela disse a Jesus: “Não há esperança de salvação para a esposa de Paulo, eu daria minha vida para salvar uma mãe de família. O que quereis que eu faça?”
Jesus respondeu: “Se queres alcançar esta graça, pede-me pelas lágrimas de minha Mãe.”
Irmã Amália perguntou a Jesus: “Como hei de pedir?”
Jesus então deu as invocações:
“Meu Jesus, ouvi os nossos rogos pelas Lágrimas de vossa Mãe Santíssima.
Vede, ó Jesus, que são as Lágrimas d’Aquela que mais vos amou na terra e que mais vos ama no céu.”
E Jesus acrescentou:
“Minha filha, tudo o que os homens me pedirem pelas Lágrimas de minha Mãe, sou obrigado amorosamente a dar. Mais tarde minha querida Mãe entregará, por amor, este precioso tesouro ao nosso querido Instituto, como ímã de misericórdia.”
Este relato, que segundo Irmã Amália ocorreu às 10h30 da manhã do dia 08 de novembro do ano de 1929, foi escrito por ela própria apenas no ano de 1931. Quando então ela fez o seguinte comentário: “E a sra. boa Madre, sabe bem que a nossa doente desenganada sarou perfeitamente.”
A família Villac [2] relatou que Maria Clarice posteriormente ficou viúva, e com a ajuda de familiares e religiosas criou todos os seus cinco filhos. Ao longo dos anos fez tratamentos porque perdeu parte de sua visão e ficou daltônica. Precisou de óculos especiais que mesmo assim não amenizavam o problema. Apesar desses limites, escreveu três obras literárias com aceitação nacional e internacional, reconhecidas até mesmo por Monteiro Lobato, então escritor e crítico literário à época. Maria Clarice faleceu em 1984 aos 80 anos de idade.
Fontes:
[1] Trechos da carta escrita por Irmã Amália, intitulada “ORIGEM DAS JACULATÓRIAS DA COROA DE NOSSA SENHORA DAS LÁGRIMAS – O PRIMEIRO MILAGRE”. Registrada no livro N. Senhora das Lágrimas e o seu Pombal, Instituto das Missionárias de Jesus Crucificado, 1935, 1ª Edição, Campinas-SP, p. 12. In: Irmã Amália e a devoção a Nossa Senhora das Lágrimas, Rita Elisa Sêda, Editora Imaculada, 6ª Edição, 2025, p. 139-141.
[2] Villac, Sylvia MJCr. Família de Paulo José Villac e Maria Clarice Marinho Villac, 2005; In: Irmã Amália e a devoção a Nossa Senhora das Lágrimas, Rita Elisa Sêda, Editora Imaculada, 6ª Edição, 2025, p. 139-141.
Exatamente quatro meses depois de Jesus ensinar as súplicas à missionária, Irmã Amália estava novamente na mesma Capela da Casa Mãe do Instituto das Missionárias de Jesus Crucificado, quando então a profecia se cumpriu [3]:
“Em 8 de março de 1930, Nossa Senhora aparece à sua dileta filha.”
Irmã Amália descreveu tudo o que viu, ouviu e sentiu nesta sublime ocasião em que Nossa Senhora das Lágrimas entregou o precioso tesouro de Suas Lágrimas Benditas ao seu querido Instituto [4]:
“[…] Eu estava na Capela, ajoelhada nos degraus do altar do meu lado esquerdo, de repente senti como que me suspendiam no ar; vi de olhos abertos que se aproximava de mim uma Senhora de uma formosura inexplicável, trajando uma túnica cor de violeta, um manto azul e um véu branco, o qual lhe envolvia o peito. Descia sorrindo e trazia nas mãos um terço, que Ela chamou de Coroa. Os seus grãozinhos brilhavam como o sol e eram brancos como a neve. Entregando-me a Coroa, disse-me:
‘Esta é a Coroa de minhas Lágrimas, dadas por meu Filho a este Instituto, como uma parte de seu Patrimônio. Suas invocações já foram dadas por meu Filho. Ele quis mimosear-me com mais esta invocação, e todas as graças que lhe forem pedidas por intermédio de minhas Lágrimas, meu Filho concederá. Esta Coroa servirá para a conversão de muitos pecadores […]. A este Instituto uma glória lhe está reservada, que é a conversão de milhares destes membros de uma seita tão perniciosa para a árvore florida da Igreja militante. Hei de obrigar o demônio a confessar o dano que esta Coroa lhe há de causar.
Aparelha-te para esses grandes combates. O demônio tem que revelar ao Instituto o que ela houver feito em favor da Igreja militante’.
Dizendo isto, desapareceu.”
Fontes:
[3] O Lar Catholico, Juiz de Fora – MG, 05 de junho de 1932, p. 3. In: Irmã Amália e a devoção a Nossa Senhora das Lágrimas, Rita Elisa Sêda, Editora Imaculada, 6ª Edição, 2025, p. 169-170.
[4] Trechos da carta escrita por Irmã Amália, intitulada “ENTREGA DA COROA DAS LÁGRIMAS – APARECIMENTO DE NOSSA SENHORA”. Registrada no livro N. Senhora das Lágrimas e o seu Pombal, Instituto das Missionárias de Jesus Crucificado, 1935, 1ª Edição, Campinas-SP, p. 13. In: Irmã Amália e a devoção a Nossa Senhora das Lágrimas, Rita Elisa Sêda, Editora Imaculada, 6ª Edição, 2025, p. 169-170.
Em 08/04/1930 passamos a contar com mais um preciosíssimo tesouro, que depois passou a fazer parte da Coroa de Nossa Senhora das Lágrimas tal como nós a conhecemos nos dias atuais. Que Deus abençoe mais esta data tão especial, que compõe a última das três grandes datas referentes à história da oração da Coroa de Nossa Senhora das Lágrimas!
A medalha, tal como anunciada por Maria Santíssima a 08/04/1930, encerra grande significado para o Instituto e para os fiéis em geral [5]:
Essa medalha traz cunhada na frente a imagem de Nossa Senhora das Lágrimas (tal como aconteceu na aparição à Irmã Amália um mês antes, e em atitude de entrega da Coroa das Lágrimas), e no verso a imagem de Jesus Manietado (ou seja, com as mãos amarradas, representando a Mansidão de Jesus simbolizada em sua prisão). A imagem de cada uma das faces da medalha está rodeada por uma jaculatória inerente a cada lado.
A jaculatória referente a Nossa Senhora das Lágrimas proclama o valor de suas Lágrimas:
Ó Virgem dolorosíssima, as vossas lágrimas derrubaram o império infernal.
E a jaculatória referente a Jesus Manietado contém a seguinte súplica:
Por vossa mansidão divina, ó Jesus Manietado, salvae o mundo do erro de que se acha ameaçado.
Na citação abaixo, também escrita provavelmente pelas Filhas de Maria (“F. de M.”) no livro N. Senhora das Lágrimas e o seu Pombal, há a seguinte afirmação:
Fontes:
[5] Trechos do texto intitulado “A MEDALHA DE NOSSA SENHORA DAS LÁGRIMAS”. Registrado no livro N. Senhora das Lágrimas e o seu Pombal, Instituto das Missionárias de Jesus Crucificado, 1935, 1ª Edição, Campinas-SP, p. 19.
Parte do que foi citado acima, sobre a medalha, também pode ser encontrado no livro Irmã Amália e a devoção a Nossa Senhora das Lágrimas, Rita Elisa Sêda, Editora Imaculada, 6ª Edição, 2025, p. 170-171.
Lembremo-nos ainda de que a reza da Coroa de Nossa Senhora das Lágrimas, tal como divulgada por Dom Barreto logo nos primeiros folhetos distribuídos já a partir de 26 de abril de 1930, conta com uma oração inicial composta por Irmã Amália de Jesus Flagelado, e uma oração final composta pela Madre Maria Villac (Irmã Maria do Calvário). Nesses folhetos, Dom Barreto autorizou imprimir a reza com o seguinte título: Coroa de Nossa Senhora das Lágrimas.
SAIBA MAIS SOBRE A MEDALHA: clique aqui.
NOTA:
Solicitamos, para o bem da devoção, que as eventuais republicações das citações acima sejam feitas de forma fidedigna aos escritos originais e que acompanhem as suas respectivas fontes bibliográficas.
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